segunda-feira, 28 de abril de 2014

Um doutor chamado Silva




"A pessoa honrada com mais de um título de doutor honoris causa, poderá usar a abreviação 'Dr. h. c. mult.' (Doutor honoris causa multiplex)".

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na semana passada (23/04), o título de doutor honoris causa da Universidade de Salamanca, na Espanha. O título é o 27º honoris causa recebido pelo ex-presidente, merecidamente.

Os críticos de plantão vão dizer que o ex-presidente não tem cultura ou histórico científico para pertencer a um colegiado de doutores. Então, seguindo o mesmo princípio, podem dizer o mesmo de Melanie Klein que, após o casamento com Arthur Klein, em 1903, abandonou a Medicina e seguiu cursos de Arte e História, na Universidade de Viena, sem graduar-se. Seguindo esta linha mesquinha de raciocínio, ela não seria uma das mais famosas psicanalistas deixando um legado incontestável no tratamento de crianças.

Historicamente, um doctor honoris causa recebe o mesmo tratamento e privilégios que aqueles que obtiveram um doutorado acadêmico de forma convencional e é conferido a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Então as qualificações averiguadas para a outorga são incontestáveis.

Em seu discurso, Lula falou com propriedade sobre a emoção de receber o título de uma universidade tão tradicional, com quase 800 anos de idade, e de como o Brasil tem nos últimos 11 anos lutado para avançar na educação, após séculos de atraso, com programas como o Reuni, o Prouni e o FIES, que ampliaram o acesso dos estudantes ao ensino superior.

O ex-presidente ressaltou, por exemplo, o aumento do número de estudantes universitários em 11 anos, de três milhões para sete milhões de estudantes, e o fato de ter triplicado o orçamento federal para a educação, entre 2003 e 2013.

O problema não é Lula receber uma titulação, mas um Luiz da Silva ser doutor. É demais para as elites.